Sem perguntas advogado?! É a frase com que, fosse juiz, me
dirigiria a um causídico que, abrisse mão de formular perguntas, tanto para a
testemunha, vítima, quanto no interrogatório, perante a instrução.
Ora, alguém me disse que, na maioria das vezes é prudente
fechar a boca e abrir bem os ouvidos, aliás, essa é a sapiência que se extrai
da própria Sagrada Escritura. Todavia, ao advogado criminalista, só há um
momento de calar-se, de emudecer-se e somente “ouvir”, quando está recolhido ao
seu recanto de estudos com um bom livro em mãos, ou no “degustar” dos autos do
processo.
Do contrário, falar é a sua única arma. Arma contra a arbitrariedade,
contra a arrogância, contra o clamor apaixonado da sociedade pela vingança,
contra um caso já resolvido na mentalidade das pessoas, mesmo antes da
apreciação das provas.
Calar é tudo o que querem fazer com um advogado. Não pode
ele se prestar a esse favor.
Não se cale advogado! Se mesmo nos momentos em que não é bem
vinda sua voz deves falar, muito mais naqueles em que lhe é dada a palavra!
Mauricio Belo Ferreira.
